como as IAs escolhem empresas e produtos

Como as IAs escolhem empresas e produtos para recomendar

Por: Beatriz Desiderato | 14/10/2026

Marketing

10 min de leitura

Quando um consumidor pergunta para uma inteligência artificial “qual empresa você recomenda?” ou “qual produto devo comprar?”, a resposta não funciona exatamente como uma lista tradicional de resultados de busca.

A inteligência artificial precisa interpretar o que a pessoa está procurando, entender o contexto da pergunta e, a partir das informações disponíveis, construir uma resposta que faça sentido para aquela situação.

Isso cria uma nova oportunidade para empresas e ecommerces, mas também traz uma mudança importante na forma de pensar a presença digital.

Não basta simplesmente aparecer na internet. É preciso construir informações suficientes para que a empresa, seus serviços e seus produtos sejam compreendidos, relacionados às necessidades do consumidor e considerados relevantes dentro de diferentes contextos de busca.

Mas afinal, como as IAs chegam a essas recomendações?

Não existe uma lista fixa de empresas recomendadas

O primeiro ponto importante é entender que não existe uma fórmula pública e universal que determine que determinada empresa sempre será recomendada por uma inteligência artificial.

A resposta pode mudar de acordo com a pergunta, o contexto apresentado pelo usuário, a localização, o tipo de produto ou serviço procurado e as informações disponíveis naquele momento.

Uma pergunta como:

“Qual é uma boa loja de tênis?”

é muito diferente de:

“Onde comprar um tênis para corrida de longa distância, até R$ 600, com boa avaliação?”

Na segunda situação, existem muito mais critérios para considerar.

Por isso, uma empresa pode ser relevante para determinada pesquisa e não necessariamente para outra.

O primeiro passo é entender a intenção do consumidor

Antes de recomendar alguma coisa, a IA precisa interpretar o que o usuário realmente quer.

Essa interpretação pode envolver preço, localização, categoria, características do produto, finalidade de uso, preferência de marca ou outras condições apresentadas na pergunta.

Imagine alguém procurando uma cadeira.

Se a pergunta for “qual cadeira é boa para home office?”, conforto e ergonomia podem ser aspectos importantes.

Se a pergunta for “qual cadeira gamer comprar?”, outros atributos passam a fazer parte da análise.

E se o consumidor disser “quero uma cadeira para home office pequeno e tenho até R$ 1.000 para gastar”, o contexto fica ainda mais específico.

Isso significa que uma empresa não deve pensar apenas em “quais palavras quero posicionar?”, mas também em “em quais situações meu produto ou serviço pode ser uma boa resposta?”

Informações completas aumentam o contexto sobre o produto

Para recomendar um produto, a IA precisa ter informações que permitam entender o que ele é e para quem pode ser útil.

Uma página que apresenta apenas:

“Tênis esportivo — R$ 399,90”

oferece pouco contexto.

Já uma página que explica que o produto possui determinado tipo de amortecimento, é indicado para determinados usos, possui características específicas, tamanhos disponíveis e outras informações relevantes permite compreender melhor a oferta.

Isso não significa que uma descrição maior será automaticamente melhor.

O ponto é oferecer as informações que realmente ajudam a explicar o produto.

A descrição precisa responder às dúvidas que aparecem antes da compra

O consumidor raramente quer saber apenas o nome e o preço de um produto.

Ele pode querer entender se o produto é adequado para determinada situação, qual a diferença entre dois modelos, como utilizar, quais são suas características ou quais limitações existem.

Essas perguntas podem orientar a construção do conteúdo.

Em um ecommerce, por exemplo, uma boa página pode explicar não apenas o que está sendo vendido, mas também como, quando e para quem aquele produto faz sentido.

Isso cria um contexto muito mais rico em torno da oferta.

A empresa também precisa ser compreendida

O mesmo vale para empresas que vendem serviços.

Uma agência que simplesmente afirma ser “especialista em marketing digital” oferece uma informação muito ampla.

Uma presença digital mais completa pode explicar quais serviços oferece, quais segmentos atende, quais problemas resolve, como trabalha e quais experiências possui.

Assim, fica mais fácil relacionar a empresa a diferentes necessidades.

Por exemplo, uma empresa pode ser relevante para uma busca sobre Google Ads para ecommerce, mas não necessariamente para uma pergunta sobre desenvolvimento de software.

Quanto mais claro for o posicionamento, mais fácil é entender em quais contextos aquela empresa pode ser uma resposta adequada.

As informações precisam ser consistentes

Imagine que uma empresa diga em uma página que trabalha com determinado serviço, mas em outras áreas do site essa informação não aparece ou está descrita de maneira diferente.

Ou que um produto tenha características diferentes apresentadas em páginas distintas.

Inconsistências dificultam a compreensão.

Por isso, uma estratégia de GEO precisa considerar a presença digital como um todo.

Site, produtos, categorias, páginas institucionais, conteúdos e demais canais relevantes precisam transmitir informações coerentes sobre a empresa.

Autoridade também faz parte da construção da presença digital

Uma empresa pode afirmar que é especialista em determinado assunto, mas existe uma diferença entre declarar conhecimento e demonstrá-lo.

Conteúdos aprofundados, estudos de caso, análises, guias, comparativos e materiais educativos podem ajudar a mostrar a experiência da empresa em seu segmento.

Isso é especialmente importante em mercados nos quais a confiança influencia bastante a decisão.

Quanto mais a marca demonstra conhecimento sobre determinado tema, mais contexto existe para associá-la àquele assunto.

A reputação não está apenas no site

Quando alguém pesquisa uma empresa, as informações disponíveis podem estar espalhadas por diferentes ambientes.

Uma marca pode possuir presença em redes sociais, marketplaces, avaliações, publicações, vídeos e outros canais relacionados ao seu mercado.

Essa presença ajuda a formar uma visão mais ampla sobre a empresa.

Por isso, trabalhar GEO não significa simplesmente escrever artigos para o blog.

É necessário pensar na presença digital como um conjunto de informações que precisa ser coerente e relevante.

Para produtos, avaliações podem fazer diferença

No ecommerce, existe ainda outro elemento importante: a experiência de quem já comprou.

Avaliações e comentários podem acrescentar informações que não aparecem na descrição oficial.

Um consumidor pode explicar que determinado produto funciona bem para uma aplicação específica, comentar sobre o tamanho, destacar uma característica ou apontar uma limitação.

Essas experiências ajudam a construir uma visão mais completa do produto.

Por isso, incentivar avaliações reais e manter essas informações disponíveis pode contribuir para uma presença mais rica no ambiente digital.

Preço e disponibilidade também fazem parte da decisão

Imagine que alguém pergunte:

“Qual desses produtos posso comprar por até R$ 500?”

Nesse caso, o preço passa a ser um critério fundamental.

O mesmo acontece quando o consumidor procura um produto disponível para entrega em determinada região ou precisa de uma determinada característica.

Por isso, informações comerciais precisam estar atualizadas.

Um ecommerce pode possuir um excelente conteúdo sobre determinado produto, mas se a disponibilidade, preço ou condição de compra estiverem desatualizados, a informação deixa de representar adequadamente a oferta.

A recomendação depende do contexto

Uma das principais diferenças entre uma busca tradicional e uma conversa com IA é justamente a capacidade de trabalhar contexto.

O usuário pode começar perguntando:

“Quais são os melhores notebooks para trabalho?”

Depois, pode complementar:

“Preciso de um modelo leve.”

E em seguida:

“Meu orçamento é de até R$ 4 mil.”

A recomendação pode mudar conforme essas informações são acrescentadas.

Para empresas e produtos, isso significa que não existe apenas uma oportunidade de aparecer.

Existem diferentes contextos nos quais uma marca pode ser considerada relevante.

Por isso, pense em necessidades e não apenas em palavras-chave

Uma estratégia tradicional pode começar perguntando:

“Qual palavra-chave quero posicionar?”

Para GEO, vale acrescentar outra pergunta:

“Em quais perguntas ou necessidades meu produto pode ser uma boa resposta?”

Essa mudança pode revelar diversas oportunidades.

Uma loja de iluminação pode trabalhar não apenas “luminária”, mas também conteúdos relacionados a iluminação para escritório, iluminação para quarto, iluminação para ambientes pequenos, escolha de temperatura de cor e outras situações de uso.

O produto passa a estar relacionado a uma necessidade.

O mesmo vale para categorias

Uma categoria de ecommerce pode ser trabalhada para explicar muito mais do que o nome dos produtos disponíveis.

Ela pode apresentar os tipos de produtos, suas aplicações, diferenças entre modelos e orientações para escolha.

Isso ajuda o consumidor e cria um contexto mais amplo para a categoria.

Em vez de uma página que simplesmente apresenta produtos, o ecommerce passa a oferecer informação para ajudar na decisão.

O que uma empresa pode fazer para aumentar suas chances de ser recomendada?

Não existe garantia de recomendação, mas existe muito trabalho que pode ser feito para melhorar a qualidade da presença digital.

Comece revisando as páginas mais importantes da empresa.

Veja se está claro o que ela oferece, para quem oferece e quais problemas resolve. Depois, faça o mesmo com os produtos e categorias do ecommerce.

Analise também se existem conteúdos respondendo às principais dúvidas dos clientes, comparativos entre produtos, guias de escolha e informações sobre aplicações.

Por fim, observe se as informações da marca estão coerentes nos diferentes canais em que ela aparece.

O objetivo é construir um conjunto de informações que permita compreender o que a empresa faz, o que vende e em quais situações suas soluções são relevantes.

A recomendação começa muito antes da recomendação

Quando uma IA apresenta uma empresa ou produto, existe toda uma camada de informação por trás daquela resposta.

A marca precisa estar presente, possuir informações claras, demonstrar relevância e conseguir ser relacionada à necessidade apresentada pelo consumidor.

Por isso, GEO não deve ser tratado como uma ação isolada.

É parte de uma estratégia mais ampla de conteúdo, SEO, autoridade e presença digital.

Sua marca está construindo os sinais certos?

A nova geração de buscas cria uma oportunidade para empresas que conseguem transformar seu conhecimento em informação clara e relevante.

Mais do que tentar descobrir “como fazer a IA me recomendar”, o caminho é construir uma presença digital que responda naturalmente a uma pergunta mais importante:

“Por que minha empresa ou meu produto deveria ser considerado para essa necessidade?”

A Eficaz Marketing pode ajudar sua empresa a analisar essa presença, identificar oportunidades de SEO e GEO e estruturar conteúdos capazes de conectar sua marca às necessidades reais do consumidor.

Fale com a Eficaz Marketing e prepare sua empresa para as novas formas de descoberta e recomendação.