Grandes marcas estão ampliando seus canais de venda: o que o movimento do Magalu na Shopee revela
Por: Beatriz Desiderato | 29/10/2026
8 min de leitura
O Magazine Luiza e a KaBuM! passaram a vender produtos de estoque próprio na Shopee, em uma parceria que coloca itens de categorias como eletrodomésticos, eletroeletrônicos, móveis, games e informática dentro da seção de Lojas Oficiais da plataforma. A operação começou em outubro de 2026 e as entregas são realizadas pela Magalog, empresa de logística do grupo.
À primeira vista, pode parecer apenas mais uma parceria comercial entre grandes empresas. Mas o movimento diz bastante sobre a direção que o ecommerce está tomando.
O Magalu não deixou de vender em seus próprios canais. A estratégia é justamente ampliar a distribuição dos produtos para alcançar consumidores que estão em outros ambientes digitais. Segundo a companhia, a entrada na Shopee faz parte de uma estratégia de expansão das vendas por marketplaces parceiros, mantendo o canal próprio como parte importante da operação.
O consumidor não está em um único lugar
Durante muito tempo, ter um ecommerce próprio era tratado como o principal objetivo de uma operação digital. A empresa construía sua loja, investia em tráfego e buscava fazer com que o consumidor chegasse até ela.
Esse modelo continua sendo importante, mas o comportamento de compra ficou mais distribuído.
O consumidor pesquisa no Google, descobre produtos nas redes sociais, acompanha criadores, compara preços em marketplaces e compra pelo canal que oferece a combinação mais conveniente de preço, prazo, confiança e experiência.
Nesse cenário, limitar a venda ao próprio ecommerce significa depender de que o consumidor encontre a marca e decida entrar naquele ambiente.
Estar também onde ele já está pode criar uma segunda porta de entrada.
O caso do Magalu mostra essa mudança na prática
A entrada na Shopee não aconteceu de forma isolada.
Em 2026, o grupo também avançou com parcerias para vender produtos de estoque próprio em outros grandes marketplaces, incluindo Amazon e Mercado Livre. A parceria com a Shopee é, portanto, parte de uma estratégia mais ampla de distribuição por diferentes plataformas.
O movimento é especialmente interessante porque estamos falando de uma empresa que já possui uma marca conhecida, ecommerce próprio, aplicativo, estrutura logística e uma grande base de consumidores.
Mesmo com todos esses ativos, o grupo está buscando novas audiências.
Isso mostra que multicanalidade não é necessariamente uma estratégia para empresas que ainda não possuem força digital. Ela também pode ser uma estratégia de crescimento para empresas consolidadas.
A lógica é vender onde existe audiência
A Shopee possui uma grande base de consumidores no Brasil. Para o Magalu, entrar nesse ambiente significa colocar seu catálogo diante de pessoas que não precisam necessariamente estar navegando no aplicativo ou site da própria empresa para encontrar seus produtos.
Essa é uma mudança importante na lógica de aquisição.
Em vez de concentrar todo o esforço em levar pessoas até o ecommerce próprio, a empresa também leva seus produtos até ambientes nos quais já existe intenção de compra.
É uma diferença simples, mas estratégica:
em vez de esperar que o consumidor encontre a marca, a marca também passa a encontrar o consumidor.
Isso não significa abandonar o ecommerce próprio
Talvez esse seja o ponto mais importante para outras empresas observarem.
A entrada do Magalu na Shopee não significa que o grupo esteja substituindo seus próprios canais.
Pelo contrário. A estratégia prevê a utilização dos marketplaces parceiros para ampliar as vendas sem abrir mão do canal próprio. A empresa também afirmou que pretende utilizar essas plataformas para alcançar novos consumidores e crescer online com rentabilidade.
Os canais, portanto, podem cumprir funções diferentes.
O marketplace oferece audiência e descoberta.
O ecommerce próprio oferece controle sobre a experiência e a construção do relacionamento com o consumidor.
As redes sociais ajudam a gerar atenção.
A mídia paga amplia a distribuição.
O resultado vem da combinação desses pontos, e não necessariamente da escolha de apenas um deles.
A estratégia vale para empresas menores?
É claro que a escala do Magalu é muito diferente da realidade de uma pequena ou média empresa.
Mas o princípio estratégico pode ser aplicado a negócios de diferentes portes.
Uma empresa que possui um ecommerce próprio pode avaliar se existem marketplaces nos quais seus produtos tenham potencial de venda.
Uma marca que já vende em marketplace pode desenvolver seu próprio canal para ampliar o controle sobre a experiência.
Uma empresa que depende de um único canal pode começar a testar uma segunda fonte de aquisição.
A questão não é copiar a estratégia do Magalu.
É entender o raciocínio por trás dela.
Se o consumidor está distribuído entre diferentes ambientes, a empresa também precisa pensar em distribuição.
Mais canais também significam mais responsabilidade
Estar presente em diferentes plataformas não significa simplesmente replicar o mesmo catálogo em todos os lugares.
Cada canal possui custos, regras, concorrência e características próprias. É necessário entender se o produto possui margem suficiente para aquela operação, como será administrado o estoque, quem fará as entregas e quanto será necessário investir para conquistar visibilidade.
No caso do Magalu, a empresa mantém o estoque próprio e utiliza a Magalog para realizar as entregas dos pedidos feitos na Shopee.
Para outras empresas, a estrutura pode ser completamente diferente.
Por isso, ampliar os canais precisa vir acompanhado de uma operação preparada para sustentar esse crescimento.
O marketplace também virou espaço de descoberta
Outro aspecto interessante é que os marketplaces estão deixando de ser apenas ambientes de comparação de preços.
A Shopee vem ampliando recursos de social commerce, incluindo vídeos, transmissões ao vivo e programas de afiliados. O próprio Magalu poderá utilizar esses recursos dentro da plataforma.
Isso aproxima cada vez mais conteúdo e comércio.
O consumidor pode descobrir um produto em um vídeo, acompanhar uma live, receber uma recomendação de um criador e chegar à compra dentro do mesmo ecossistema.
Para as marcas, isso significa que estar em um marketplace não envolve apenas disponibilizar produtos. Existe também uma oportunidade de participar das novas formas de descoberta.
O que as empresas podem aprender com esse movimento?
A principal lição não é simplesmente “venda na Shopee”.
É entender que o ecommerce está se tornando cada vez mais distribuído.
Grandes marcas estão buscando diferentes fontes de audiência porque sabem que depender de um único canal pode limitar o crescimento. O próprio Magalu afirmou que a estratégia busca alcançar consumidores que ainda não compram em seus canais próprios.
Para uma empresa menor, isso pode significar testar um marketplace.
Para outra, pode significar investir melhor no ecommerce próprio.
Para uma terceira, pode ser ampliar a presença em redes sociais ou explorar novos formatos de venda.
Não existe uma combinação única.
O importante é identificar onde o público está e quais canais conseguem transformar essa audiência em vendas com margem e sustentabilidade.
O futuro do ecommerce será cada vez mais multicanal
A ideia de que o consumidor precisa chegar primeiro ao site da marca está ficando menos relevante.
Ele pode encontrar a empresa em um marketplace, conhecer um produto por um criador, pesquisar no Google, visitar o ecommerce próprio e depois comprar novamente por outro canal.
A marca precisa estar preparada para essa jornada fragmentada.
Isso não significa estar em todos os lugares.
Significa escolher os canais certos e fazer com que eles trabalhem juntos.
O Magalu está indo até onde o consumidor já está
A entrada do Magazine Luiza e da KaBuM! na Shopee é mais um sinal de que a disputa pelo consumidor online não acontece apenas dentro dos sites próprios das marcas.
Os grandes varejistas estão ampliando seus pontos de contato, buscando novas audiências e utilizando marketplaces como parte de uma estratégia de distribuição mais ampla.
Para outras empresas, fica uma pergunta importante:
se o seu consumidor já está comprando em outros canais, por que sua marca deveria depender de um único lugar para vender?
A resposta pode estar em uma estratégia mais ampla de presença digital, combinando ecommerce próprio, marketplaces, mídia e novos formatos de comércio.
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