Black Friday na era da IA: quem vai conquistar o consumidor?
Por: Beatriz Desiderato | 05/11/2026
7 min de leitura
Durante anos, a jornada de compra da Black Friday seguiu um caminho relativamente conhecido: o consumidor pesquisava no Google, comparava lojas, acessava alguns sites e acompanhava anúncios até encontrar uma oferta interessante.
Esse comportamento continua existindo, mas uma nova possibilidade está ganhando espaço.
Em vez de pesquisar dezenas de páginas, o consumidor pode perguntar diretamente a uma inteligência artificial qual produto comprar, quais opções apresentam melhor custo-benefício ou quais empresas oferecem determinada solução.
A mudança parece simples, mas altera uma etapa importante da jornada:
a descoberta pode acontecer antes mesmo de o consumidor chegar ao site de uma empresa.
E isso cria uma nova disputa para as marcas durante a Black Friday.
O consumidor pode pedir uma recomendação em vez de procurar uma lista
Imagine alguém procurando uma televisão para aproveitar a Black Friday.
No modelo tradicional, essa pessoa poderia pesquisar “TV 55 polegadas Black Friday”, abrir diferentes resultados e começar a comparar.
Em uma experiência baseada em IA, ela pode fazer uma pergunta muito mais específica:
“Qual a melhor TV de 55 polegadas para assistir filmes, com bom custo-benefício, para comprar na Black Friday?”
A resposta pode reunir opções, explicar diferenças e apresentar recomendações.
Isso muda a posição da marca dentro da jornada.
Ela não está mais apenas tentando conquistar um clique em uma página de resultados.
Está tentando ser considerada como uma das opções apresentadas ao consumidor.
A oferta continua importante, mas não é suficiente
A Black Friday sempre foi marcada pela disputa por preço.
Mas, quando uma inteligência artificial ajuda o consumidor a comparar produtos, outros elementos podem ganhar importância.
Informações claras sobre o produto, especificações completas, avaliações, reputação da empresa, disponibilidade, condições comerciais e conteúdo relevante ajudam a construir o conjunto de informações que permite compreender uma marca ou produto.
Por isso, uma empresa pode ter uma excelente oferta e ainda assim enfrentar um problema anterior:
ser encontrada e considerada.
A melhor promoção do mercado não ajuda se o consumidor nunca chega a conhecê-la.
A IA pode mudar a forma como o consumidor compara
Outro ponto importante é que a inteligência artificial consegue trabalhar com perguntas mais complexas do que uma simples busca por palavra-chave.
O consumidor pode apresentar várias condições ao mesmo tempo:
“Quero um notebook para trabalhar e estudar, com boa bateria, até determinado valor e que consiga rodar alguns programas específicos.”
A partir daí, a expectativa não é apenas receber uma página com produtos.
É receber ajuda para decidir.
Isso torna a qualidade das informações disponíveis sobre produtos ainda mais relevante.
Quanto mais completa e consistente for a presença digital de uma empresa, mais elementos existirão para que mecanismos de IA compreendam aquilo que ela oferece.
A página do produto também ganha importância
Na Black Friday, é comum que empresas concentrem esforços em banners, anúncios e descontos.
Mas existe outro ativo que precisa estar preparado: a própria página do produto.
Informações incompletas, descrições genéricas ou ausência de especificações podem dificultar tanto a decisão do consumidor quanto a compreensão do produto por diferentes mecanismos digitais.
Uma boa página precisa responder às principais dúvidas antes mesmo que elas sejam feitas.
O que é o produto?
Para quem ele é indicado?
Quais são suas características?
Quais são seus diferenciais?
Como ele se compara a alternativas?
Quais condições de compra estão disponíveis?
Quanto mais fácil for encontrar essas respostas, mais preparada estará a empresa para uma jornada de compra que começa em diferentes lugares.
Reputação também entra na disputa
Na Black Friday, o consumidor não compara apenas preços.
Ele também quer reduzir o risco de comprar de uma empresa desconhecida.
Avaliações, comentários, menções à marca e informações disponíveis em diferentes fontes ajudam a construir essa percepção.
Por isso, a presença digital de uma empresa não se resume ao próprio ecommerce.
A marca precisa ser reconhecida também fora dele.
Quando diferentes fontes apresentam informações consistentes sobre uma empresa, seus produtos e sua atuação, o consumidor encontra mais elementos para confiar naquela escolha.
E isso se torna ainda mais relevante quando a decisão passa por uma recomendação automatizada.
O conteúdo pode ajudar antes da compra
Existe uma oportunidade importante aqui.
Durante a Black Friday, muitas empresas produzem conteúdo exclusivamente promocional:
“Compre agora.”
“Última chance.”
“Oferta imperdível.”
“X% OFF.”
Esse tipo de comunicação tem seu espaço, principalmente durante a campanha.
Mas o consumidor também possui dúvidas antes de chegar à oferta.
Qual produto escolher?
Qual modelo é melhor?
Qual opção vale mais a pena?
Qual produto atende determinada necessidade?
Conteúdos que respondem essas perguntas ajudam a marca a participar de uma etapa anterior da decisão.
Antes de vender o produto, a empresa pode ajudar o consumidor a escolher o produto.
A disputa começa antes do clique
Esse talvez seja o principal ponto da Black Friday na era da IA.
As marcas estão acostumadas a disputar posições nos anúncios, resultados de busca, marketplaces e redes sociais.
Agora existe uma camada adicional:
ser considerada nas respostas e recomendações que ajudam o consumidor a decidir.
Isso não significa abandonar Google, Meta, marketplaces ou outras estratégias de mídia.
Significa reconhecer que a jornada está ficando mais distribuída.
O consumidor pode descobrir uma marca em um vídeo, pesquisar no Google, pedir uma recomendação para uma IA, comparar preços em um marketplace e finalmente comprar no ecommerce.
Cada etapa pode acontecer em um ambiente diferente.
O que as empresas podem fazer?
A preparação para esse novo comportamento começa pela própria presença digital.
Informações sobre produtos precisam estar completas e atualizadas.
O conteúdo precisa responder dúvidas reais.
As páginas precisam apresentar claramente benefícios, características e diferenciais.
A marca precisa construir reputação em diferentes ambientes.
E o ecommerce precisa oferecer uma experiência capaz de transformar a descoberta em compra.
Não existe uma ação isolada que garanta que uma empresa será recomendada por uma inteligência artificial.
O caminho é construir uma presença digital suficientemente consistente para que diferentes mecanismos consigam compreender quem é a empresa, o que ela vende e por que seus produtos merecem consideração.
Black Friday não é apenas uma disputa por desconto
Quanto mais consumidores utilizarem ferramentas de IA para pesquisar e comparar produtos, maior será a importância de aparecer nas etapas que antecedem a decisão.
Isso muda a lógica da Black Friday.
A empresa continua precisando de preço competitivo, estoque, mídia e uma boa oferta.
Mas também precisa estar preparada para ser descoberta quando o consumidor ainda está tentando entender o que comprar e de quem comprar.
Quem vai conquistar o consumidor?
Na Black Friday, milhares de empresas estarão disputando atenção com ofertas, anúncios e descontos.
Mas uma parte dessa disputa acontecerá antes mesmo do consumidor visitar uma loja.
As marcas que conseguirem unir uma boa oferta a uma presença digital clara, relevante e confiável terão mais oportunidades de participar dessa nova jornada de descoberta.
A Eficaz Marketing ajuda empresas a fortalecer sua presença digital e estruturar estratégias de performance para diferentes momentos da jornada de compra, conectando mídia, conteúdo, SEO, GEO e ecommerce.
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